Primeiro Palco Virtual do ano apresenta performances ao vivo de artistas de diferentes expressões sobre a sobrevivência cultural na pandemia

O artista visual Denilson Baniwa, a cantora Filipe Catto, o escritor João Silvério Trevisan e a indígena multiartista Zahy Guajajara (foto) são alguns dos convidados de Travessias – Como Permanecemos Vivas? A transmissão é on-line e a programação é realizada em dois finais de semana, com performances e trocas ao vivo sobre como a arte revitalizou e transformou os artistas.

 

O Itaú Cultural retoma o Palco Virtual de Cênicas nos sábados e domingos de janeiro (dias 22 e 23; 29 e 30) com Travessias – Como Permanecemos Vivas? Vasta e multifacetada, esta programação idealizada pelo ator, produtor e diretor Aury Porto e realizada pelo IC, convida o público a refletir, por meio da arte, sobre as transformações enfrentadas pelo universo artístico nos últimos anos. Em quatro noites, oito artistas de diferentes linguagens vão realizar performances híbridas – entre gravações e momentos ao vivo – de até 30 minutos, sobre como enfrentaram os desafios impostos pela pandemia de Covid 19.

Gratuito, como toda a programação do Itaú Cultural, o Palco Virtual é transmitido pela plataforma Zoom. Nos sábados, os encontros são às 20h, e nos domingos, às 19h, com a apresentação de duas performances por dia, sempre seguidas de uma conversa entre artistas e plateia. Os bate-papos são mediados pela dramaturga e psicanalista Cláudia Barral e por Aury Porto. Os ingressos devem ser reservados pela Sympla. Mais informações no site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br.

Travessias se propõe a investigar como as linguagens artísticas funcionaram como instrumento de cura do indivíduo e da sociedade durante a pandemia. Dentro desse conceito, a cura é entendida de forma abrangente, como força de transformação e autoconhecimento, ressignifição, comunicação, empatia, expressão e imaginação.

Participam do projeto artistas das artes visuais, da dança, da música, do teatro e da literatura, representatividades negras e indígenas, para mostrar como utilizaram da criação para enfrentar os desafios provocados pelo isolamento social. Em outras palavras: como fizeram da arte um instrumento de cura e de sobrevivência, diante do caos sanitário e político que assola o Brasil?

Livres para criarem roteiros e apresentações em cima dessa temática, os convidados e convidadas acabam compartilhando com a plateia um pouco de suas trajetórias, oferecendo um leque diverso de linguagens e experiências, vivências e percursos de suas travessias nos últimos dois anos.

Caminhos

A programação abre no dia 22 (sábado), às 20h, com Denilson Baniwa e Lu Favoreto. Natural de Mariuá, Rio Negro, Amazonas, o primeiro é um artista visual que abriu caminhos ao protagonismo dos indígenas no território nacional. Seu processo artístico tem como ponto de partida o Movimento Indígena Amazônico e o seu trânsito pelo universo não-indígena, rompendo paradigmas. Por sua vez, Lu, artista da dança paranaense radicada em São Paulo, atua como intérprete, coreógrafa, professora e preparadora corporal para as artes cênicas. Na capital paulista, dirige a Cia. Oito Nova Dança e tem como elemento primordial de sua investigação artística a relação entre estrutura corporal, movimento vivenciado e comunicação na cena.

O universo da música e do teatro marcam presença na programação do dia 23 (domingo), às 19h, com a participação da cantora gaúcha Filipe Catto e da dramaturga baiana Onisajé. Contribuindo há mais de 10 anos com a cena artística independente, Catto é compositora, artista visual, performer, produtora musical e designer. Onisajé é diretora-fundadora do Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas (NATA), criado em 1998. É também bastante reconhecida por seu trabalho como dramaturga, preparadora de atuantes, educadora e pesquisadora da cultura africana no Brasil, com ênfase nas religiões de matriz africana.

Novos encontros

As atividades da segunda semana do Travessias começam no sábado, 29, a partir das 20h. Neste dia, as performances são do artista baiano da dança e do teatro Eduardo O. e do romancista, contista, ensaísta, roteirista, diretor de cinema e dramaturgo João Silvério Trevisan, de São Paulo.

Também escritor e professor da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, Edu O. dirige o Grupo X de Improvisação em Dança e é co-fundador do Coletivo Carrinho de Mão. Na programação, ele divide as atenções com Trevisan, dono de uma vasta e premiada trajetória, com 14 livros publicados, como A idade de ouro do Brasil e Devassos no Paraíso – este, um estudo pioneiro sobre a homoafetividade no Brasil.

A programação fecha no dia 30, domingo com a performance, a partir das 19h, da cantora cearense Marta Aurélia e da multiartista maranhense Zahy Guajajara.  Artista e experimentadora da voz e do corpo na perspectiva da arte, saúde e autoconhecimento, ela expande sua atuação a diferentes linguagens, além de estudar a relação estreita entre vida e arte. Zahy, também multiartista, usufrui ao máximo das expressões artísticas para compartilhar seus conhecimentos ancestrais, adquiridos em uma trajetória iniciada na aldeia Colônia, localizada na reserva indígena Cana Brava, onde nasceu.

 

SERVIÇO:

Palco Virtual – Cênicas

Travessias – Como Permanecemos Vivas?

22 de janeiro (sábado) às 20h

Denilson Baniwa e Lu Favoreto

23 de janeiro (domingo) às 19h

Filipe Catto e Onisajé

29 de janeiro (sábado) às 20h

Edu O. e João Silvério Trevisan

30 de janeiro (domingo) às 19h

Marta Aurélia + Zahy Guajajara

No site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br

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DIÁRIO DE BORDO NO JP

Vanessa Serra é jornalista. Ludovicense, filha de rosarienses.

Bacharel em Comunicação Social – habilitação Jornalismo, UFMA; com pós-graduação em Jornalismo Cultural, UFMA.

Atua como colunista cultural, assessora de comunicação, produtora e DJ. Participa da cena cultural do Estado desde meados dos anos 90.

Publica o Diário de Bordo, todas as quintas-feiras, na página 03, JP Turismo – Jornal Pequeno.

É criadora do “Vinil & Poesia” que envolve a realização de feira, saraus e produção fonográfica, tendo lançado a coletânea maranhense em LP Vinil e Poesia – Volume 01, disponível nas plataformas digitais. Projeto original e inovador, vencedor do Prêmio Papete 2020.

Durante a pandemia, criou também o “Alvorada – Paisagens e Memórias Sonoras”, inspirado nas tradições dos folguedos populares e lembranças musicais afetivas. O programa em set 100% vinil, apresentado ao ar livre, acontece nas manhãs de domingo, com transmissões ao vivo pelas redes sociais e Rádio Timbira.

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